A atuação de síndicos, administradoras e moradores diante de situações de violência contra a mulher em condomínios esteve no centro dos debates do Fórum de Proteção à Mulher e Prevenção ao Assédio em Condomínios, realizado nesta quarta-feira (29), na sede da OAB Santa Catarina, em Florianópolis. O evento reuniu representantes do sistema de Justiça, entidades de classe, especialistas e profissionais ligados à gestão condominial para discutir formas de prevenir casos de violência, fortalecer a rede de proteção e orientar sobre os procedimentos adequados de acolhimento e encaminhamento das vítimas.
O encontro ocorreu em um momento em que episódios de repercussão nacional voltaram a evidenciar a importância de ampliar os mecanismos de prevenção e estabelecer protocolos claros de atuação nos condomínios, espaços onde muitas dessas situações acontecem e, muitas vezes, permanecem invisíveis.
Herta de Souza, presidente da Comissão da Mulher Advogada Estadual, na ocasião representando o presidente da OAB, Juliano Mandelli, destacou que: "Eventos como este têm um papel essencial na construção de uma sociedade mais segura e consciente. O enfrentamento à violência contra a mulher e ao assédio passa pela informação, pela prevenção e pelo compromisso coletivo. Ao reunir diferentes instituições neste evento, a OAB/SC fortalece o diálogo, amplia a rede de apoio às vítimas e reafirma que a proteção das mulheres é uma responsabilidade de toda a sociedade."
A presidente da Comissão de Direito Condominial da OAB/SC, Jéssika Chielle, ressaltou a importância de preparar quem está na linha de frente da convivência condominial para reconhecer sinais de violência e agir de forma adequada. "Reunimos representantes de diferentes setores para discutir a violência contra a mulher em suas diversas formas, incluindo a violência física, psicológica, moral e patrimonial, além do assédio. O debate reforçou a importância de tratar esse tema com a seriedade que ele exige e evidenciou o papel dos condomínios como espaços de acolhimento e proteção. Mais do que locais de convivência, os condomínios podem integrar uma rede de apoio às vítimas, desde que síndicos, gestores e moradores estejam preparados para identificar situações de violência, acolher essas mulheres e encaminhá-las de forma adequada aos serviços de proteção."
Ao longo da programação, especialistas das áreas jurídica, de segurança pública, psicologia e administração condominial discutiram protocolos de atendimento, responsabilidades legais e estratégias para fortalecer a rede de proteção às mulheres. Também foram abordados erros frequentes nesses casos, como a exposição da vítima, a falta de acolhimento adequado e condutas que podem desencorajar a denúncia.
Outro destaque foi a distribuição da cartilha "Violência contra a Mulher nos Condomínios", material elaborado para orientar síndicos, administradoras, funcionários e moradores sobre como identificar situações de violência, preservar a privacidade da vítima, acionar os canais competentes e realizar os encaminhamentos necessários.
O fórum contou com a participação de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Santa Catarina, da Caixa de Assistência dos Advogados de Santa Catarina (CAASC), do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (CRECI-SC), do Conselho Regional de Administração de Santa Catarina (CRA-SC) e do Síndicos Planning, instituições parceiras da iniciativa. Entre os principais encaminhamentos do encontro estiveram o incentivo à criação de protocolos internos nos condomínios, a capacitação de síndicos e equipes e o fortalecimento da atuação integrada entre entidades públicas e privadas para ampliar a proteção às mulheres.
