Adoção Tardia – Uma realidade hodierna
Graziela Medeiros – OAB/SC n° 26068 – Pós graduada em Direito Público, pela Escola Superior da Magistratura Federal do Estado de Santa Catarina
O presente artigo tem por finalidade abordar um tema que tem voltado a mídia, qual seja, a adoção de crianças consideradas “velhas” para serem adotadas.
Acredita-se que a ampliação de tal discussão seja de grande importância para os profissionais envolvidos nesse processo, bem como, para aqueles que pretendem adotar, possibilitando assim uma reflexão acerca da adoção tardia, com o conseqüente esclarecimento junto a população, assim, diminuindo o preconceito e garantindo o direito da criança e do adolescente, independente de idade e sexo, de ter uma família onde possa crescer e se desenvolver.
Hodiernamente sabe-se que grande parte dos pretensos adotantes busca adotar crianças recém-nascidas e crianças menores de dois anos, tal fato deve-se, muitas vezes ao fato dos adotantes acreditarem que ao adotar uma criança maior de dois anos ou um adolescente, trará para sua casa maus hábitos, originários das famílias de origem ou dos abrigos. Imaginam que o recém-nascido ou a criança menor de dois anos são mais fáceis de serem educados segundo os costumes da família adotante, bem como, terá maior facilidade na adaptação de ambas as partes.
Uma parte dos adotantes tem interesse em adotar recém-nascidos e crianças menores de dois anos, ocorre que, grande parte das crianças e adolescentes institucionalizados não se enquadram nessa faixa etária pretendida, mas encontram-se inseridas no quadro estatístico das adoções tardias.
É de extrema importância salientar que tanto na adoção tardia, quanto na adoção convencional, às chances de sucesso ou fracasso no âmbito familiar, dependem da capacidade de suporte, amor, confiança, companheirismo, entrega e troca de afetividade entre o adotante e o adotado.
Dessa forma, as adoções tardias possuem muitas chances de serem realizadas com êxito, no entanto é necessário que existam pais aptos e dispostos a enfrentar possíveis impasses na adaptação do adotado. Portanto, o sucesso da adoção tardia, vai depender da preparação dos pais adotantes para suprir as necessidades e frustrações do adotado, sendo necessário que o adotante seja tolerante, dedicado e acima de tudo, compreensivo com o surgimento de possíveis problemas que terão que enfrentar durante esse período de adaptação.